Minha viagem ao Espírito Santo com crianças foi uma experiência muito gostosa. Vou ser honesta: acho que o estado deveria ser mais divulgado como destino no Brasil, porque achei em geral tranquilo, bonito e com diversas possibilidades entre Mar e Serra a curtas distâncias.
Foi uma viagem especial porque fiz somente eu e os meus dois filhos, já que nem meu esposo ou outros adultos poderia estar conosco. Eu inclusive tenho um e-book sobre viajar “sozinha” com as crianças e dá tudo certo sim com calma e planejamento!
Nosso roteiro foi de 4 dias entre a capital Vitória, a vizinha Vila Velha, e um bate volta na Serra. Daria tranquilamente para ficar mais, já que tivemos que fazer escolhas por ter faltado tempo de aproveitar de fato um pouco mais o estado, mas era o tempo que tínhamos, mas ainda assim é super válido.

Talvez seu tempo seja ainda menor, aí um tour mais prático e panorâmico por Vitória e Vila Velha em um dia seja uma opção, importante é não deixar de ir dentro das suas possibilidades.
Antes de ir: Onde ficar – Vitória ou Vila Velha?
Para quem não conhece, saiba que Vila Velha é uma cidade tão grande e estruturada quanto a capital Vitória, e por isso tem diversas opções de hospedagem, e basta cruzar a terceira ponte sobre a baía de Vitória para ir e vir uma da outra – o que fizemos algumas vezes.
Pessoalmente, até gostei um pouco mais de Vila Velha, mas em ambas tem duas regiõe que, se possível, achei as melhores para considerar a sua hospedagem:
- Em Vitória, na região do Iate Clube até a Curva da Jurema, onde tem restaurantes, shoppings e um calçadão bem gostoso na beira da praia e com parquinhos super arrumadinhos. Tem feirinha nos finais de semana. Ali hotéis como o Comfort Suites, o Sheraton Vitória ou o Hotel Costa Vitória.
- Em Vila Velha, no início da Praia da Costa, entre a Pedra da Sereia (praia da Sereia) e o Shopping Praia da Costa. Segue a mesma vibe de Vitória com o um calçadão bacana (bem gostoso de passear) e um praia bonita, bons parquinhos bons restaurantes e hotéis como o Quality Suites, a Pousada Ribeiro e Champagnat Praia Hotel.
Espírito Santo com crianças: Nosso roteiro de 4 dias
Dia 01: Chegada no aeroporto de Vitória, nós chegamos pouco antes do horário de almoço e alugamos um carro – o que foi ótimo e recomendo a Discover Cars para avaliar entre as diversas locadoras as opções possíveis. O aeroporto não é muito grande e inclusive nem precisou de transfer a nossa locadora, estava do lado da saída do desembarque.

Nossa estadia seria para o lado de Vila Velha, mas ainda estando em Vitória, fomos almoçar em uma recomendação que várias pessoas nos deram principalmente por ter um grande espaço kids (estava livre, mas quando tem monitoria tem valor pago a parte), no Restaurante Ilha do Caranguejo – fomos na unidade Camburi, tem uma em um shopping também.
É um restaurante bem estiloso em tema de mar, com muitas frases divertidas em plaquinhas espalhadas no salão, e que tem um cardápio bem variado, em especial de pratos com frutos do mar.

Tem mais básicos com prato kids, e claro: tem a famosa moqueca capixaba, que aproveitei ali mesmo para provar uma com camarão e achei suave e deliciosa. Importante: podem cobrar couvert artístico também.
Saímos de lá e cruzamos pela primeira vez a Terceira Ponte, com a belíssima vista da baía de Vitória, e estando já no lado de Vila Velha, fomos logo para o atrativo mais famoso do Estado, o Convento da Penha que fica bem no alto do morro e tem uma linda vista das duas cidades, da Terceira Ponte e da baía.

É importante saber que o convento ainda funciona com missas, e existem horários onde é possível subir de carro ao longo da semana (conforme vagas no estacionamento – não estranhe se tiver uma fila de carros aguardando na entrada, você pode esperar assim sua vez.
Já nos finais de semana e feriados não é permitido salvo para a missa das 7h da manhã. Aí é possível subir a pé (a subida é longa) ou com uma van, que pagamos 7,00 subida e descida por pessoa na hora mesmo, o transporte vai e vem o tempo todo, só precisar esperar um pouco sua vez. Também tem um trenzinho, mas todos os detalhes e horários estão bem certinhos e atualizados no Site do Convento da Penha.

E super vale a pena subir! A vista é linda e tem vários ângulos. Na chegada tem um mirante para a baía, e uma loja de artigos religiosos. Do outro lado do estacionamento há o convento em si, onde é possível visitar a igreja, alguns outros espaços e ter uma outra vista já para o lado de Vila Velha, em vários ângulos também. Tem algumas escadarias, prepare o fôlego e a acessibilidade é razoável, afinal é uma estrutura bem antiga, mas dá pra visitar.
Descemos e queria fazer o check-in em nossa estadia. Ficamos em uma região um pouco menos comum de hospedagem, no Morro do Moreno, uma hospedaria cuidada por uma mãe e um filho, que foram super queridos conosco, a Hospedagem Sol e Mar.

O lugar era simples, uma casa adaptada para receber alguns hóspedes, mas tinha bom café da manhã, piscina e uma vista lindíssima com direito a um nascer do sol belíssimo.
Estávamos bem cansados porque foram dois voos e saímos super cedo de casa, então optamos por ficar ali mesmo e pedimos uma pizza no delivery, indicada pelo pessoal da hospedagem, e descansamos!
Dia 02: No segundo dia da viagem ao Espírito Santo com crianças, estávamos bem próximos do Farol Santa Luzia, e devido aos horários de visitação, já decidi começarmos por ele, e depois seguirmos em nosso trajeto.

O farol tem entrada gratuita e é um patrimônio local que tem não apenas o farol em si (não é muito alto, mas não pode subir) mas um pequeno museu que conta um pouco sobre a história das navegações, incluindo nomes importantes como Américo Vespúcio. É um cantinho bem bonito e ele está bem conservado, e tem um vista bem bacana também.
Fomos em um dia de semana mais tranquilo, porém também não tem muitas vagas ali e talvez seja um pouquinho mais chato estacionar, até porque fica em um cantinho em uma rua sem saída o acesso. Gostei bastante e os meninos também, inclusive vendo alguns artefatos antigos, como canhões.
Saímos dali e cruzamos para Vitória para visitar o Projeto Tamar, que não pode faltar em nossas viagens, já conhecemos alguns como o de Noronha, da Praia do Forte e de Florianópolis!

O Projeto Tamar de Vitória é diferente por ser um subida, aos poucos vamos caminhando em rampas e vendo os espaços reservados as tartarugas, e as exposições. E ali também tem uma vista diferente para a baía de Vitória.
O Tamar tem parquinho infantil de areia, sala de vídeo, lanchonete com snacks, loja, e claro: tartarugas, como a tartaruga oliva. Há como fazer visitas guiadas já inclusas no valor do ingresso e passamos o restante da manhã por lá, mas não é muito grande.

Depois do Tamar, fomos almoçar e dar uma voltinha em justamente pela orla nas proximidades do Iate Clube.
Almoçamos no Quintal Parrila Bar, um restaurante bem charmosinho e andamos nesta região que tem várias boas lojas de rua, e depois curtimos um pouco dessa Orla, que é fácil para estacionar, tem parquinho bom e a praia logo em frente.
Ali simplesmente dei uma relaxada enquanto os meninos brincavam. Bom pra caminhar, passear e ainda um pouco mais a frente tem um parquinho muito legal na chamada Praça da Ciência que acabei vendo só depois, mas tem essa temática bem bacana para os pequenos.

Viajar pelo Espírito Santo com crianças é muito bom porque vi não apenas ali, mas vários espaços públicos bons de ir com eles em muitos pontos da região.
Depois desse início de tarde, voltamos para Vila Velha, agora para visitar rapidamente o Centro Histórico de Vila Velha, onde está a Praça Romeiro e início do Parque Estadual da Prainha.
Visitamos dois espaços gratuitos que são museus, e inclusive vimos escolas por lá: a Casa da Memória, com mais relatos de navegações e do início histórico da cidade, e também a Casa Homero Massena, pintor que não apenas tem quadros, mas foi sua casa onde os próprios cômodos estão pintados por sua arte.

Destaque para um antigo bondinho na casa da memória que os meninos super curtiram.
Seguimos de carro um pouco mais a frente para um dos lugares mais esperados: a visita no museu e fábrica de chocolate da garoto. É um complexo grande e o único atualmente da empresa no Brasil, e importante: tem estacionamento gratuito, mas fica do outro lado da rua. A entrada da loja e museu é a esquerda, mas fique do lado direito que tem o acesso ao estacionamento.
Essa visita pode ser comprada na hora, mas tem limitação de público. Preferi comprar antecipado e garantir o horário, o que é possível e só troca o ingresso na hora, só mostrar a compra.

O Chocotour antigamente tinha uma visita em parte da fábrica, mas desde a pandemia foi suspenso e ainda não retomou o formato original.
Porém, no museu é permitido e tem visitação, mas mesmo assim existe recomendação de segurança de ir com sapato fechado, não ir de traje de banho e nem roupas curtas acima do joelho (saias, shorts, etc). A idade mínima é 6 anos – exceção da loja que aí não tem restrições.
A visita é bacana, bem colorida e com explicações. Conta a história da empresa, de seus produtos, mas não é uma visita longa.

No término ganhamos um pacotinho de batom de lembrança, e visitamos a loja, que é bem legal. O que mais gostei, além de ter alguns produtos temáticos de camisetas, canecas, etc. é que é possível comprar bombons da tradicional caixa avulsos, os seus favoritos… e bem, nós compramos os nossos!
O dia já estava no fim e aí achei melhor jantar mais cedo porque foi super cheio. Fui mais na onda da turma e fomos de shopping mesmo pegar um fast food. Comemos no Shopping Praia da Costa, demos uma última voltinha e caímos na cama para acordar cedinho para o dia seguinte.
Dia 03: Bate volta na Serra! Acordamos cedo para mudar o visual, e o clima também quis seguir esta lógica, porque o tempo virou e pegamos um dia bem mais friozinho e nublado. Bom porque não iríamos para a praia, ruim porque atrapalhou um tanto o visual das paisagens kkk. Faz parte.

Fomos até Domingos Martins, que é uma das principais cidades da Serra Capixaba. Da capital, por ser uma estrada sinuosa, demorei cerca de 2h para ir, e fomos fazendo paradas na volta aos poucos – inclusive fique de olho na ida que tem uma linda cachoeira sentido Pedra Azul na estrada e um comércio do lado direito que você pode parar a cerca de 30 minutos antes da Pedra.
Se não estiver de carro ou preferir não dirigir, também é possível fazer com excursão e ficar mais tranquilo neste trajeto.
Começamos com nossa primeira e mais distante parada: a Pedra Azul. O centro de Domingos Martins fica bem antes, mas o Parque Estadual da Pedra Azul é 1h mais a frente e lá está um dos atrativos mais bonitos do estado.

Já próximo da chegada há um portal onde se inicia a Rota do Lagarto, o acesso até a Pedra Azul. Ali tem um centrinho turístico com informações e algumas lojas, e depois você percorre a pequena e simpática estrada, passando por algumas propriedades e pousadas até chegar na base da Pedra Azul onde é possível estacionar, ver mais um espaço de café e loja de chocolates Lugano, e claro: ver todo o seu visual.
Nós vimos, mas foi por pouco! Com o tempo fechado, a neblina veio e atrapalhou bastante. Vimos por um tempo curto, fizemos algumas fotos… e depois fechou de vez, foi até sorte conseguir ver um pouco!

Porém, já ficou o gostinho de quero mais pra voltar e curtir mais dessa região, e ficar mais tempo, porque é um parque onde é possível fazer trilha e aproveitar inclusive piscinas naturais para todo um dia, e depois relaxar em uma das boas pousadas (como a Pousada Pedra Azul ou a Pousada Peterle, programinha ótimo para o fim de semana, e daqueles que caem bem também sem os filhos.
Depois de termos feito paradas nestas duas bases, pedi indicação de onde almoçar porque passamos em vários lugares ao londo da estrada, e comemos em um buffet que tem uma plantação de morangos (mas não tem colhe pague) logo na saída de retorno, no Restaurante Morangos Peterle. Comida caseira, bem feita e muito gostosa!


Seguimos então voltando para Vila Velha e fizemos uma parada no Chocolates Mayer na estrada em um espaço apenas para conhecer o café colonial e a loja (bonito, mas não foi meu favorito) e seguimos então até o centrinho de Domingos Martins, cidade de raízes germânicas.
Conhecemos a pracinha e a Rua de pedestres, mas vou ser honesta que esperava um pouco mais. Não tem tantos comércios e restaurantes, e faltou um charme a mais… ainda que tenha muito potencial, mas talvez por ser tão acostumada com lugares como Pomerode e Serra Gaúcha achei que ficou um pouco a desejar.

Por fim, fizemos uma última parada, um mirante já na altura de Viana. Tem um letreiro da cidade ali. É importante observar porque não tem sinalização de entrada, mas observei na ida e fiquei atenta para a parada na volta, com um visual final da serra.
Fechamos voltando pela orla da Vila Velha para ver um pouco mais da praia, voltamos para nossa estadia para um breve descanso, e já em clima de despedida fomos jantar no Restaurante Atlântica, um super tradicional restaurante de décadas especializado em frutos do mar e culinária regional na Praia da Costa.

Comemos um peixe e um camarão no côco que estavam muito bons, demos uma voltinha calçadão beira mar antes de voltar para a pousada.
Dia 04: Tínhamos uma última manhã antes de nosso embarque no início da tarde, e estando no pé do Morro do Moreno, tem algumas prainhas especiais, incluindo a Praia do Bananal, que era bem do ladinho de nossa pousada. O tempo abriu, e fomos dar uma caminhadinha ali.
Nessa praia fomos cedo e não tinha nada aberto, mas tem uma lanchonete mais ao lado e até uns pedalinhos que mais tarde deveriam estar abertos.
Que prainha linda e gostosa! Mar tranquilo, limpo e transparente, e um visual lindo onde ficamos aproveitando um pouco ali.

Eu queria ficar ainda mais, porém… os meninos queriam dar um último mergulho na piscina, então voltamos nos despedir dela e da pousada, e enfim, voltamos devolver o carro e retornar para casa.
Bônus: O que mais fazer e provar no Espírito Santo com crianças
Eu gostei muito do estado e da hospitalidade capixaba. Porém, faltou tempo para explorar um pouco mais, e caso você tenha, ou queira fazer um roteiro um pouquinho diferente do nosso, tenho mais algumas opções:
- Uma voltinha nos Parques Urbanos da Cidade, como parque Pedra da Cebola;
- Passeio até o Mosteiro Zen Budista, em Ibiraçu, onde está a estátua do Buda Gigante;
- Passeio até Guarapari, uma das praias mais bonitas do estado;
- Passeio a cidade de Serra, incluindo a praia de manguinhos e provar a moqueca capixaba na panela de barro de fabricação artesanal;
- Passeio a Anchieta, região também no litoral que mescla história e natureza;
- Explorar mais da Serra Capixaba e ir até Venda Nova do Imigrante, destino tradicional de turismo rural.
E bem, a gente deu uma passadinha no mercado, como sempre fazemos, e provamos alguns refrigerantes.

O guaraná Coroa é super tradicional do próprio estado, doce… mas tem que provar. Também provamos o guaraná Uai, que apesar de jeito mineiro, é fabricado no estado, e gostei!
Tem alguns chocolates locais, mas o que eu gostei de fato foi um que comprei no aeroporto, e não sei porque não vi antes. O Espirito Cacau é muito bom, e em especial provamos um chocolate com leite de côco que era muito gostoso.
E assim fechamos nossa viagem ao Espírito Santo com crianças. Gostei de tudo no geral e acho que vale a pena sim levar a família aproveitar a viagem nesse destino ainda tranquilo, gostoso e que ficou com um gostinho de quero mais!
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